A PS6 vai custar US$ 1.000 porque a IA comeu o mercado de memória
A PS6 está em alta no Japão hoje, e a Sony nem a anunciou. As buscas subiram 600% nas últimas 24 horas. O que o pessoal procura de verdade são os vazamentos: a lista de materiais chega perto de US$ 1.000, segundo o leaker de AMD Kepler_L2.
A escada de preços conta tudo. A PS5 saiu a US$ 499 em 2020. A PS5 Pro custou US$ 699 em 2024. Se o rumor dos US$ 1.000 se confirmar, a PS6 será ou o primeiro PlayStation vendido com prejuízo relevante, ou o primeiro a chegar perto desse número. A Sony já disse que não vai subsidiar muito o novo console.
A história real é a DRAM
Os preços dos componentes explicam o motivo. A escassez de DRAM que começou em 2025 — puxada pela demanda de data centers de IA — subiu os preços de memória 50% no ano passado e mais 70% só no primeiro trimestre de 2026, segundo a byteiota. A Gartner projeta mais 130% até o fim do ano.
Console precisa de muita coisa dessas. A PS6 deve vir com GDDR7, cerca de 640 GB/s de banda — 43% a mais que os 448 GB/s da PS5 — e os vazamentos apontam para SSD de 1 TB sem leitor de disco. Cada um desses bytes ficou mais caro no mercado à vista.
Os rumores de atraso são a mesma história com roupa diferente. A Bloomberg noticiou em fevereiro que a Sony considera empurrar o console para 2028 ou até 2029, com a escassez de memória como causa declarada. Piers Harding-Rolls, da Ampere Analysis, aposta em fim de 2028. O próximo Xbox da Microsoft, o Project Helix, segue mirando o fim de 2027. A Sony pode entregar o lançamento da nova geração ao rival.
A resposta da Sony: fazer da IA o console
O interessante é o que a Sony faz enquanto espera. O Project Amethyst — a colaboração de aprendizado de máquina com a AMD anunciada no fim de 2024 e atualizada em outubro de 2025 — estaria embutido no APU customizado da PS6.
Três tecnologias, segundo a apresentação da AMD e a confirmação de Mark Cerny:
- Neural Arrays — unidades de computação da GPU agrupadas como um único motor de IA, para upscaling e denoising melhores com custo menor.
- Radiance Cores — hardware dedicado ao ray/path traversal, que tira dos shader cores a tarefa mais pesada do render. Cerny: “um ganho significativo de velocidade” ao colocar a lógica de traversal no hardware.
- Universal Compression — uma camada de software que comprime todos os dados que passam pelo pipeline gráfico, esticando a banda de memória na prática.
O último ponto é o mais revelador. Jack Huynh, da AMD, já disse que a banda de memória é a principal barreira do render de nova geração. Quando o seu problema de memória é estrutural — a oferta da indústria inteira está sendo sugada pela IA —, você não resolve comprando. Você faz a GPU fazer mais com menos.
E um portátil, e sem discos
A mesma lógica de custo explica os outros dois rumores. A Sony trabalha num portátil desde pelo menos 2024, codinome interno “Project Canis”, e documentos vazados da AMD sugerem uma máquina mais potente que a PS5 básica. Um portátil que compartilha o stack de software da PS6 é uma segunda porta de entrada no mesmo ecossistema — e mais barata.
E discos? A Sony confirmou que para de fabricar discos de PlayStation em janeiro de 2028. O rumor da lista de materiais da PS6 junta SSD de 1 TB com ausência de leitor, apostando na Neural Texture Compression para segurar o tamanho dos jogos. A PS5 Pro de US$ 699 já normalizou a ideia de que o futuro digital dos games custa mais. A PS6 parece a adesão completa.
A conta chega para os jogadores
Nada disso é novo — fabricantes de console sempre precificaram pelo custo dos componentes. O novo é o motor. Os dois últimos ciclos de console foram moldados pelo que os jogos exigiam. A PS6 está sendo moldada pelo que os data centers de IA exigem: as mesmas fábricas, a mesma oferta de memória, a mesma alocação de wafers. A resposta da Sony é transformar o console num dispositivo de IA, e fazer os jogadores pagarem a transição.
O número de US$ 1.000 é um rumor. Os preços de DRAM não são. Se a PS6 chegar no fim de 2028 por algo entre US$ 700 e 800, será o primeiro PlayStation cujo preço se explica por um gráfico de preços de contratos de memória — não pelos jogos na prateleira.
Referências
- Wccftech: PlayStation 6 — tudo o que sabemos
- Wccftech: lista de materiais do PS6 se aproxima de US$ 1.000
- Wccftech: Sony sugere que PS6 de US$ 1.000 não é mais loucura
- Wccftech: Bloomberg — PS6 adiado para 2028/2029 por escassez de memória
- Wccftech: Ampere vê PS6 sem leitor no fim de 2028
- Wccftech: Mark Cerny sobre o Project Amethyst — “uma mudança de nível”
- Wccftech: AMD apresenta Radiance Cores, Neural Arrays, Universal Compression
- Wccftech: rumores de specs do PS6 — 34-40 TFlops, ray tracing 6-12x
- Wccftech: PS6 com SSD de 1 TB, sem leitor e Neural Texture Compression
- Wccftech: Sony para de fabricar discos de PlayStation em janeiro de 2028
- Wccftech: portátil do PlayStation ganha credibilidade — vazamento de AMD Zen 6
- byteiota: escassez de DRAM 2026 — alta de 70%
- Gartner: alta dos custos de memória reduzirá envios de PC e celulares em 2026$ $